domingo, 23 de setembro de 2007

A Liberdade que Transforma

O existencialismo sartreano afirma que estamos condenados à liberdade. Dea cordo com ele, o homem, antes de tudo, existe, e é o que faz de si próprio. Não há causas mais básicas para as mazelas da sociedade do que a responsabilidade assumida pelo homem perante elas. Com efeito, a aparente incongruência moral que se observa é senão um reflexo da má conduta ética de seus indivíduos.

Há algum tempo, a sociedade brasileira assistiu ao episódio da agressão dos estudantes de direito a uma empregada doméstica. Aparentemente sendo os mais competentes para compreenderem e cumprirem o código moral em que estão inseridos, os futuros advogados e juízes acabaram por transgredir com esses valores. A alegação de que a confundiram com uma prostituta só encrudesce ainda mais a situação, pois comprova a ação movida conscientemente.

Getúlio Vargas, conhecido presidente brasileiro, também dá provas de uma sobreposição consciente às normas estabelecidas. Apesar da clara construção de um governo de tradição facista, o "Pai dos Pobres", como era chamado, alia-se contra o eixo, em troca de um empréstimo para financiar obras públicas. A adesão a ideais não garante a fidelidade de seus membros. Impulsionado pelo interesse individual, o homem opta por seus próprios rumos.

Não há, portanto, a "ética dos coitadinhos", na qual as instituições governamentais e os meios de comunicação imperam como as razões das doenças sociais. Cada indivíduo é livre e igualmente responsável pelos seus atos e pela sociedade em que vive.

Todavia, embora certo do papel que desempenha, o indivíduo foge de seus compromissos para com seus semelhantes. Esta fuga desesperada se deve à culpa essencial que se edifica ante ao erro ético. Albert Camus, em A Queda, afirma que o pior castigo ao ser humano nãos e encontra no castigo propriamente dito, mas no puro julgamento do qual participamos cotidianamente. Assumindo a postura de príncipes, transformamos nossos equívocos na vida pública em um processo terceiro, independente de nós. Dessa forma, deslocamos nosso papel de juízes para meros réus em busca da misericórdia alheia, nunca sendo culpados.

A construção de uma sociedade igualitária e ética é um caminho árduo. Deve-se primeiramente abandonar a má-fé e assumir a liberdade - a mesma liberdade com que corrompemos o dia - de que podemos alterar esse quadro em que vivemos. Só se estandoi verdadeiramente livre é que se fazem projetos realmente grandes e importantes para o curso do mundo.

Um comentário:

Unknown disse...

O ser que é liberto não tem medo do futuro.

[somosaquiloquequeremosser]